domingo, 30 de março de 2008

O CASAMENTO II


Seria apenas mais uma sexta feira tediosa no cartório se não fosse a novidade: dois rapazes ,
( devidamente vestidos de terno preto , elegância pura !) com flores na mão estarem oficializando a repentina paixão em um contrato, o documento que legitima a união. Embora o documento ainda não fique registrado na vara da família, já é um grande feito a celebração do casal Germano Marino e Dênis Puerta.
O casamento , por assim dizer, deixou grandes histórias. Não pude comparecer, mas acabo de chegar de uma pizza com Germano, aonde me deliciei ouvindo suas histórias. Os transeuntes querendo saber que muvuca era aquela na frente do cartório se espantavam ao saber " é o casamento dos gays". Flashs de máquinas fotográficas, câmeras de celulares e de TVS, todos procurando registrar o acontecimento. Um moto taxista ficou na porta do cartório anunciando para quem passava " aqui que dois homens estão se casando". Outro cidadão indignado saiu do cartório bravejando " Aonde este mundo vai parar, quanta pouca vergonha".
Na hora da troca de alianças Germano não aguentou a emoção e seus olhos encheram se de lágrimas, assim como os do companheiro Dênis, o da amiga e fiel escudeira Rose Farias, da mãe
( maravilhosa mãe) Rosa e da avó. Aquela aliança significava mais do que a união dos dois. A aliança também se tornou o símbolo de novos tempos.
No meio do papo, durante a pizza, perguntei se não estamos vivendo um revolução. Revolução que ainda tem muita luta pela frente para se concretizar. revolução de consciência, de costumes.
Quando o pai do Germano disse para a televisão que para ter a coragem de ter a atitude do filho e de Dênis tem de ser muito macho, concordo plenamente. O mundo em que vivemos ainda tem muito o que caminhar em direção ao respeito e tolerância. O preconceito se manifesta em diferentes níveis. Desde o ódio absoluto pelo diferente até as sutis manifestações inconscientes. Tememos o que é diferente a nós, tememos o que não conhecemos, tememos muita coisa. Aguentar a pressão , as gozações e a incompreensão de ser gay e ter a coragem de se assumir como tal tem de ser muito macho mesmo.
Espero o dia em que um casamento gay não precise de televisão e nem de manchete em jornal. Não será mais motivo de alarde, nem será um ato de conscientização. Neste dia será um casamento comum e normal como qualquer outro, sem rótulos, sem especulaçõs. Talvez esteja longe disso acontecer, talvez mais perto que eu imagino. Quem entende este mundo veloz e contraditório ? De um lado um ato tão revolucionário como este e do outro centenas de pessoas como fantoches seguindo um deputado cego numa cruzada medieval.
Desejo toda a sorte do mundo para meu amigo e felicidade também. Fico poor aqui matutando e querendo entender tanto barulho. É tão simples.

É somente amor...

Um comentário:

Helton disse...

Até que enfim a sociedade hipocrita vai entender que pessoas do mesmo sexo podem sim ser muito felizes.......... Mas ainda há muitas barreiras para isso acontecer............. Como adotar uma criança e dar a ela um lar uma educação..................