segunda-feira, 17 de março de 2008

a chuva e o trem


já não passam trens
mesmo assim convido D para ir comigo fugir do mundo
apesar da chuva, não pensei em cogumelos
longe ouço o barulho de alguma igreja
não converso sobre Deus com D
nem sobre quase nada
apenas nos embriagamos de silêncio
viramos fumaça

a estação abandonada, palco de nossos sonhos
um segundo e entro no mundo das imagens
e pensar que um dia os viajantes por ali eram outros

não falamos muito, quase nada
somente os trilhos abandonados e cheios de mato
- gosto de dente de leão
principalmente quando seus dentes voam no final de tarde -

flores vagabundas são as melhores que tem

D me falou sobre disco voadores
quase travamos um dialogo
mas nos calamos olhando para o céu

existem almas que se compreendem sem palavras
almas que olham o céu juntas
almas abduzidas por naves alienígenas

Sabia que D queria fumar
mas naquele dia chuvoso preferiu respirar fundo
se aninhar em meus pensamentos
e sacudir a nostalgia

já não passam mais trens
os vagões enferrujam e os vagabundos circulam
por entre os trilhos um cachorro vira lata
a vontade louca de cantar algo antigo
o som da respiração

juntamos nossos sonhos
seguimos pelos ferros retorcidos
e mais uma vez ousamos acreditar

a estação foi ficando longe
nossas almas também

a chuva insistente molhando nossos olhos

foi então que viramos chuva

Um comentário:

coruja cinzenta disse...

Lindo...
acho que esse dia foi aquele dia...
não, ou foi aquele outro?
Foram tantos dias assim... inesquecíveis...
Te amo
saudades