quinta-feira, 10 de julho de 2008

uma homenagem seca

Mataram o Zé
Mataram o Dantas
Mataram o Beto
Mataram o Aldenir

Mataram uma menina com 19 facadas
Quase mataram uma mãe e um filho em um assalto frustrado

Mataram uma geração matando seus sonhos
Mataram meus amigos, grande parte deles

Caminham mortos entre ruas escuras
Com outros mortos que também matam
E morrem e matam

Amigos que enlouquecem pois a dor é imensa
A existência vazia de uma geração roubada
O silêncio revolto dos cadáveres esquecidos
O sinal do descuido nas nossas televisões

O medo na sua forma mais sinistra
O silêncio de uma tentativa tímida de sorriso
As vitrines assassinas um salário assassino
A sombra de uma geração

A bandeira colorida pisoteada
Cores sujas tristes pelas ruas da cidade
No fervor cínico de uma oração
Celebram o tempo da estupidez e da morte

Mataram o Zé
Mataram o Dantas
Mataram o Beto
Mataram o Aldenir

O grito silenciado em todos os nossos corações
O passo veloz paralizado na utopia de um mundo novo

E tudo vira fumaça no meio do ano
Folhas, sonhos, segredos
Meninos, meninas, amigos

Esfumaceia-se o mundo
Sufocamos nós que não ousamos atravessar
Para o outro lado

Nós que sempre ficamos na beira
Na entrada da porta
Nunca ousamos ver o que está lá
Do outro lado

Um comentário:

Claudinha Bártholo disse...

É amigão você expressou muito bem o que está acontecendo...
ta sinistro demais, é inacreditável tudo isso...

O texto está maravilhoso, mas a verdade tá doendo.

BEIJOSSS