terça-feira, 20 de maio de 2008

O Girassol

Por entre as mãos, carrega um girassol, impossível de imaginar ele a carregar um girassol. Talvez um baseado ou mesmo um livro pessimista. Nunca um girassol.
Se aproxima com o mesmo andar pesado, desajeitado, do dia que eu o conheci. Há quanto tempo isso , meu Deus ?! Tatuagem mal feita no ombro, um índio sem cores, a não ser a cor morena da pele a preencher a face do desenho.
Mas, onde diabos tinha arrumado áquela flor ?
Penso melhor, o girassol até que combina com ele: grande, desengonçado, radiante. O que não combina com é o fato dele estar segurando uma flor, definitivamente, ele não combina com flores. Cactos talvez. Se quiser, ele me explica, aquieto a curiosidade.
Continua a caminhar em minha direção, será que vai me dar o girassol ? Quase ri do absurdo que penso. Não é do feitio dele dar presentes, ainda mais uma flor. Melhor não rir, detesta que riem de sua cara, não que eu fosse rir de sua cara, mas sim, do inusitado. Por que ele é tão bravo ? Ranzinza ? É assim desde que eu o conheci, há tanto tempo. Mas ele consegue rir de coisas tão banais que eu não entendo. Quem sabe , envelheci...
Se ainda estivesse segurando um martelo para martelar qualquer coisa, um butijão de gás para substituir o da cozinha que está quase no fim, um garrafão de água. Não, ele - insistentemente - carrega um girassol.
Poderia ser um presente, mas quem, conhecendo - o daria lhe um girassol ? Poderiam lhe presentear com uma camiseta nova - que ele está precisando - , um perfume, até mesmo um gato. Definitivamente, não um girassol.
Passa por mim sem me olhar, detesto quando ele faz isso, com o olhar em qualquer outro canto do universo. Vai em direção a cozinha. O segui com o olhar até onde foi possível. Por que Van Gogh também pintou girassóis ?
Ele volta sem girassol, segue seu destino em direção a varanda aonde persiste em terminar de pintar o muro. Lembro do dia que nos conhecemos e das coisas que passamos para estarmos , finalmente, juntos. Nosso maior campo de batalha foi os nossos corações permeada por nossas diferenças que tanto nos atraiu.
Vou até a cozinha. O girassol, incrivelmente amarelo, está lá. Numa jarra de vidro com água. Na geladeira , um bilhete escrito rápido, de caligrafia ainda mais rápida:

" Girassóis sempre buscam o sol"

4 comentários:

Claudia Bártholo disse...

Sergião adorei o texto, maravilhoso, consegui visualizar cada detalhe... com um rosto embassado mas o fiz.
Estou buscando meu sol...
Saudade, qualquer dia vamos sair os dois pra uma cerva.
te adoro beijos.

Claudia Bártholo disse...

Sérgio tens razão quanto a fênix, é porque nunca chego a sofrer tanto ou morrer como ela...
só me curo das feridas dai pensei no Wolverine que é tudo...
eu amo a fênix, Jean Grey!!!
Os dois se amam então tô entre eles heheheh...
um daime??? certeza vamos mesmo. Esse final de semana quem sabe.
beijos

coruja cinzenta disse...

Um belo giro fez esse girassol...
Te amo

Rodolfo Curumim disse...

Show! muito bonito! continue...